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John Lennon, gênio da música e ativista, faria 70 anos hoje

John Winston Lennon, o garoto de Liverpool que se tornou um ícone da rebeldia rock and roll com os Beatles e em sua carreira solo, foi amado e odiado por suas músicas e convicções políticas, e foi assassinado aos 40 anos por um fã com distúrbios mentais, viveu uma das histórias mais conhecidas e fantásticas do século 20. Se estivesse vivo, ele completaria 70 anos neste 9 de outubro.
Lennon nasceu em 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, e foi batizado em homenagem ao seu avô e ao primeiro-ministro britânico Winston Churchill. O pai Alfred era marinheiro e ficava pouco em casa, e a mãe Julia acabou engravidando de outro homem. O pequeno John acabou indo morar com a tia Mary “Mimi” Smith, que ele sempre considerou sua segunda mãe. Mas Julia sempre o visitava, e na adolescência o ensinou a tocar banjo, deu a ele discos de Elvis Presley e comprou seu primeiro violão, em 1957.
No mesmo ano John e amigos de escola formaram a banda The Quarrymen, que tocava Skiffle, um ritmo derivado do jazz popular na época em Liverpool. Em 6 de julho desse ano ele conheceu Paul McCartney numa apresentação da banda. Eles logo ficaram amigos e Paul entrou no Quarrymen, apesar do pai dele achar que John o ia “meter em encrencas”. George Harrison entrou como guitarrista e Stuart Sutcliffe asusmiu a bateria, quando os colegas de John deixaram o grupo, que pouco depois eles decidiram rebatizar como “The Beatles”.
John entrou na faculdade de Artes, mas continuou dando prioridade para a banda. Em 1960 os quatro garotos, com Pete Best foram para Hamburgo, onde tocaram uma temporada de 48 noites em bares da cidade, fazendo shows longos, movidos à anfetaminas. De volta a Liverpool, começaram a ganhar fama tocando no Cavern Club, onde conheceram o empresário Brian Epstein, que os aconselhou a substituir Best por Ringo Starr. O resto é história. A partir do primeiro single gravado, Love Me Do, em 1962, os Beatles viaram a maior banda de rock do mundo e símbolo da década de 60, durante a chamada “Beatlemania”.
Lennon e McCartney dividiam o crédito das composições, mas poucas foram realmente escritas em dupla. Lennon é o autor, por exemplo, de Help!, A Hard Days Night, I Feel Fine, Nowhere Man, Lucy in the Sky With Diamonds, Revolution, Strawberry Fields Forever e Come Together, mostrando uma personalidade mais sombria e inconformista que Paul. Em 1965 John tomou LSD pela primeira vez, o que gerou uma mudança de rumo nos Beatles, que saíram do pop iê-iê-iê em direção ao experimentalismo psicodélico, a partir do álbum Rubber Soul. No ano seguinte eles decidiram não fazerem mais shows, e se concentrarem nos álbuns, o que gerou aos obras-primas Revolver, de 1966, e Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, do ano seguinte.
Ainda casado com a namorada de adolescência Cynthia, com quem teve o primeiro filho, Julian, John conheceu e se apaixonou pela artista de vanguarda japonesa Yoko Ono. Quando seu romance se tornou público, a maioria dos fãs e os outros membros da banda passaram a odiar Yoko, a estranha artista conceitual que parecia hipnotizar John. Mas o amor entre os dois se mostrou forte, e começou a minar a relação entre John e Paul. Em 1969, após a gravação do disco Abbey Road, Lennon decidiu sair dos Beatles e se dedicar às causas pacifistas ao lado de Yoko, principalmente pedindo o fim da Guerra do Vietnã, na música Give Peace a Chance e no famoso “Bed-In”, quando o casal fez um protesto deitado em uma cama de hotel.
Em carreira solo, Lennon compôs clássicos autobiográficos como Instant Karma!, Cold Turkey (sobre o vício em heroína), God (que tem a famosa frase “O Sonho Acabou”), Mother (sobre a rejeição da mãe Julia), Jealous Guy (pedido de desculpas a Yoko após uma briga) e o hino pacifista Imagine. Morando em Nova York e participando ativamente de movimentos pelo fim da guerra, Lennon passou a ser considerado “inimigo do Estado” pelo então presidente dos EUA Richard Nixon, que o tentou deportar do país. A partir de 1975, ele se afastou dos palcos e se dedicou a cuidar do filho Sean.
Em 1980 ele voltou a gravar, e fez o disco Double Fantasy. Mas a volta foi interrompida em 8 de dezembro daquele ano, quando Mark David Chapman, após pedir para Lennon autografar um disco, lhe deu um tiro, na frente do apartamento onde o cantor morava. John Lennon morria e virava uma lenda, aos 40 anos. Desde então, a mito em torno do menino de Liverpool que acreditava que podia mudar o mundo com seu talento só cresceu, e hoje fãs de todo o mundo celebram os 70 anos de nascimento de John Winston Lennon.

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